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5 de fevereiro de 2013

OVO ATRAVESSADO versus RETENÇÃO DO OVO



"Tenho/tive uma canária com o ovo atravessado!" Esta é uma frase muito comum e frequentemente ouvida vezes demais entre os criadores de canários, muitas das vezes significa que se perdeu uma fêmea que estava no choco. Não vou acrescentar nada de novo para a maioria das pessoas que habitualmente acompanham este blogue, contudo de quando em vez sou surpreendido pois há sempre alguém que por este ou por aquele motivo têm desconhecimento de situações que para os mais experientes são, digamos assim, corriqueiras.

Hoje recebi um telefonema de um português radicado na Suiça, “aflito” porque tinha uma canária à dois dias num canto da gaiola porque não conseguia expelir o ovo e não sabia o que havia de fazer; o ano passado morrera-lhe uma com o mesmo problema. Expliquei-lhe um método que me foi ensinado já há longos anos com cerca de 98% de êxito e que, felizmente, mais uma vez deu resultado pois este patrício teve o cuidado de me ligar cerca de 30 minutos depois, bastante contente, dando-me a noticia de que a canária conseguira expelir o ovo apesar de o ter colocado no chão.

Não vou quantificar as várias situações que podem levar a que uma canária não consiga expelir o ovo apesar de as mais comuns serem provocadas por: excesso de gordura e excesso de cálcio ou inclusive por uma alimentação deficitária.

Há, descritas na internet, diversas formas de se ajudar uma canária a expelir um ovo que esteja atravessado e que por esse motivo não é expelido desde: massajar o abdómen da fêmea, tentar furar o ovo no oviduto e inclusive pressionar o abdómen da fêmea tentando recolocar o ovo na posição de forma a ser expelido. Sinceramente não ponho em causa que os métodos atrás referidos não sejam eficazes contudo considero que é necessária muita experiência para utilizar aquelas metodologias uma vez que são perigosas para a integridade física da ave.

O criador atento, na altura da criação, vigia diariamente os ninhos para controlar as posturas e facilmente se apercebe de que algo não irá bem com uma fêmea que não consegue expelir o ovo. De facto uma fêmea com este problema apresentar-se-á embolada geralmente num canto do poleiro e não raras vezes no chão, da gaiola. a um canto, com respiração ofegante e olhos mortiços. O que aconselho que se faça nesta situação, repito foi-me ensinado a mim e com enorme percentagem de êxito, é fazer o seguinte: arranjar um cotonete, um pouco de azeite, uma vasilha com água bem quente tapada com um pano e proceder da seguinte forma:

1.º - Embeber bem o cotonete em azeite de forma a ficar bem empapado;

2.º - Com o cotonete esfregar levemente a cloaca da fêmea para que, se possível, a mesma receba no seu interior duas ou três gotas de azeite.

3.º - Posicionar a fêmea com a cloaca sobre uma vasilha de água bem quente, (tapada com um pano pois a fêmea pode nessa altura largar o ovo), para que a fêmea receba o vapor da água diretamente na cloaca, mas a uma distância que elimine qualquer possibilidade dela se queimar com o vapor.

4.º - Depois do referido nos pontos 1, 2 e 3 se a fêmea não tiver entretanto largado o ovo colocá-la suavemente no ninho e aguardar que os estímulos efetuados com o cotonete embebida no azeite e com ajuda do vapor da água surtam efeito e as contrações da fêmea sejam suficientes para expelir o ovo.

5.º - É raríssimo ser necessário repetir todo o processo mas se a fêmea não expelir o ovo até 30 minutos depois de ter sido colocada na gaiola é de todo conveniente repeti-lo.

Espero e desejo que este texto sirva para ajudar os criadores mais inexperientes pois como disse, desde que o utilizo é altamente eficaz, talvez porque também deteto rapidamente esta situação.

9 de junho de 2011

AS TRICOMONAS

Numa altura em que a maioria dos criadores começa a dar por encerrada a época de criação é, infelizmente, comum aparecer nas aves mais jovens que se encontram a iniciar a muda, a famosa doença das Tricomonas.

Numa das minhas deambulações pela net encontrei um pequeno tema sobre essa maleita abordado de uma forma curiosa que, com a devida vénia, transcrevo do blogue de um companheiro espanhol. Tenho pena de não ter conseguido a prévia autorização mas não há lá qualquer forma de contactar o autor para obter a sua autorização pelo que poderão, no entanto, ler o texto original na fonte que é este blogue

Considero a abordagem curiosa porque, pessoalmente, não fazia a menor ideia de que se podia extrair um abcesso com origem nas Tricomonas, aliás, tive o ano passado duas aves com estes sintomas que felizmente foram bem ultrapassados.
Em resumo e numa tradução livre feita por mim, numa linguagem menos técnica, o texto acompanhado das duas fotos, bastante esclarecedoras, diz aproximadamente isto:

As Tricomonas podem apresentar-se de variadas formas. Neste caso aparecem sob a forma de um abcesso por baixo do bico. Terá de se realizar uma extração, com uma agulha, do interior do abcesso para análise a fim de ser identificada a origem ou causa deste protozoário e só então proceder à extração do conteúdo interior do abcesso (obviamente que terá de existir uma pequena cirurgia, este parentisis é meu) limpá-lo muito bem com desinfectantes e dar na água de bebida metronidazol + cefalexina.

25 de abril de 2011

ESTAFILOCOCOS, COMO NÓS OS TRANSMITIMOS ÀS NOSSAS AVES

Um criador que faz o favor de ouvir os meus conselhos quando precisa de esclarecer alguma dúvida, telefonou-me um destes dias e disse-me uma coisa que, confesso, estava longe de suspeitar nós, criadores, contaminámos as nossas aves com estafilococos!

Este criador andava com problemas na criação pois os embriões estavam a ser mal gerados; não se formavam totalmente e aqueles que se formavam não eclodiam. Com base não só em dicas minhas como de outros criadores lá foi fazendo uma série de experiências infelizmente sem qualquer resultado prático até que por interposto amigo conseguiu uma mandar fazer uma análise laboratorial a alguns dos embriões, tendo sido detectada a presença de estafilococos nos mesmos. Achado o problema foi só dar o medicamento certo e as coisas correram normalmente; o curioso é que as análises vieram como “recado” de ser aconselhável o uso de luvas no manuseamento não só dos canários mas também dos ovos, pois a nossa pele porta os estafilococos (isto dito por ele) que transmite às aves.


Curioso com esta “descoberta” andei a pesquisar por diversos artigos, blogues e fóruns que falavam sobre Estafilococos, fiz uma pequena síntese do que li e que me pareceu ser mais importante como a seguir segue:

Os Estafilococos, nome científico Staphylococcus Aureus, são uma bactéria comummente conhecida pelos criadores como causadora de lesões nas patas dos canários que causa necroses levando à perda de dedos e, por vezes, à morte do canário. Esta bactéria que pode ser transmitida de variadas formas aos canários, desde picadelas de insectos, passando por sobrelotação do local onde os canários se encontram alojados, tem uma particularidade que eu desconhecia; é que o próprio criador a pode transmitir aos canários não só ao pegar neles como, inclusive, transmiti-la através do manuseamento dos ovos, por exemplo: ao retirá-los, dos ninhos, para os trocar por ovos falsos enquanto a postura não termina, sendo esse motivo, para mim, possivelmente um dos principais transmissores dessa bactéria às aves. Os Estafilococos como a casca do ovo é porosa, atravessam-na facilmente quando os manuseamos sem a utilização de umas luvas, pois esta bactéria é transmitida através da pele das nossas mãos.


Sabemos que há doenças com sintomas tão idênticos, nas aves, que por vezes é uma lotaria acertar no tratamento das mesmas e esta bactéria tem a particularidade de impedir o bom desenvolvimento dos embriões nos ovos levando à sua morte prematura; geralmente levamos para a falta de calor no choco ou até atribuímos à trovoada estes pequenos grandes pormenores ou levamo-los até para outras situações  ou campos, como por exemplo atribuir a uma alimentação inadequada a inflamação do fígado da ave que se apresenta congestionado e que acaba por levar à morte da mesma, quando afinal o mal é outro.

Como em praticamente todos os casos relacionados com aves um método preventivo eficaz passa pela constante limpeza das instalações, higienização do material utilizado, limpeza dos fundos e poleiros das gaiolas e evitar excesso de lotação de aves numa mesma voadora e, por conseguinte, sendo aconselhável a utilização de luvas quando se pega numa ave mas particularmente quando se manuseiam os ovos. Por acaso utilizo pontualmente luvas para pegar nos canários mas mais no inverno quando tenho as mãos frias.


Num dos artigos que li especificamente sobre os estafilococos era aconselhado a não colocação de ovos em cima de sementes enquanto aguardavam para serem colocados debaixo das canárias!

Como tratamento devem ser utilizados antibióticos apropriados para a aquela patologia existentes no mercado, como por exemplo a Enroxina, da Zoopan.

3 de outubro de 2010

* REMOÇÃO DE QUISTOS *

Verifico, regularmente, haver criadores que nunca se depararam com canários com quistos e quando isso acontece temem logo o pior para a suas aves. Isso sucedeu comigo quando aconteceu pela primeira vez. Segundo o que tenho lido e, ainda, com a troca de informação com outros colegas criadores a origem dos quistos, de um modo geral, têm três situações, a saber:

1.º - Acasalamento entre aves com uma consaguinidade muito próxima.

2.º - Aves com uma plumagem excessiva (por exemplo os Norwichs).

3.º - A mais comum, penas encravadas, muitas das vezes originadas por as aves se bicarem, principalmente na altura da muda.

A remoção de quistos que pretendo abordar é exactamente aquela que, mais tarde ou mais cedo acontecerá a quem se dispuser a criar canários, tem origem em pena ou penas encravadas. Estas penas encravadas, desenvolvem-se no interior da epiderme e à medida que crescem enrolam-se sobre si mesmas em forma de novelo dando, com o continuo crescimento, aparecimento a uma forma de pequeno grão de milho que é o chamado quisto.

No caso das aves com quistos ocasionados pela consanguinidade será mais constante o aparecimento, não só destes mas de outros tipos de quistos, pelo que obviamente, não é aconselhável a sua utilização como ave reprodutora.

Na impossibilidade de publicar fotos minhas sobre esta matéria utilizo, com a devida vénia, três fotos de colegas criadores o Nuno Carvalho (http://www.canariculturanunocarvalho.blogspot.com/) e o António Ganchinh0 (http://www.aganchinho.blogspot.com/)

Nesta a primeira foto vê-se o quisto já desenvolvido. É perfeitamente visível no centro da "bola" que se trata de um quisto provocado por uma pena encravada.

Nesta segunda foto vemos o quisto já "aberto" notando-se a pena putrefacta no seu interior.

Por fim nesta terceira foto vê-se perfeitamente o buraco deixado na ave pela extracção do quisto, que aparece no canto inferior direito da foto.

O sistema que utilizo para extrair os quistos é muito simples e, até à presente data, nunca me morreu nenhuma ave pela extração do quisto. Custa-nos um bocado porque a extração é feita a sangue frio e a ave tem dores mas quando a colocamos no viveiro, passadas umas horas, já parece outra pois encontra-se livre do apêndice que a incomodava.

O que utilizo para a extracção é, cuidadosamente, preparado antes de agarrar a ave e consiste no seguinte:

Alcool etílico para desinfectar o material a utilizar; gase para limpar a ferida (nunca algodão, o único que utilizo é o do cotonete que não se solta) água oxigenada para ajudar a limpar e estancar algum sangue; betadine para colocar na ferida; 1 cotonete para limpar o interior da ferida com betadine, 1 x-acto ou bisturi para fazer a incisão no quisto, uma pinça pequena para remover a pouco e pouco o novelo formado pela pena, uma tesoura e um pano limpo onde disponho tudo o que vou precisar.

1.º - Depois de desinfectar, bem, com alcool o instrumento cortante, a tesoura e a pinça, agarro a ave e dou inicio à extracção do quisto.

2.º - Se necessário aparo, com a tesoura, as penas à volta do quisto para que não entrem posteriormente para dentro da ferida que vai ficar.

3.º - Com o x-acto ou bisturi, faço uma incisão no quisto, no sítio onde melhor de nota o novelo formado pela pena. Se o corte for bem feito é raro aparecer sangue.

4.º - Após o corte, com ajuda da pinça vou retirando do interior a pena (que faz lembrar uma pipoca a esfarelar) até chegar a uma altura em que o "grosso" do quisto sai totalmente. Aqui há quase sempre o aparecimento de algum sangue é então utilizada a gase embebida em água oxigenada que com a ajuda da pinça introduzimos na ferida, para a lavar e estancar o sangue.

5.º - Ultrapassada a fase referida em 4.º embebo o cotonete em betadine e limpo cuidadosamente o buraco, causado pela extracção do quisto, bem como o bordo e se houver pele solta, pressiono-a levemente com o cotonete de forma a quase tamponar o ferimento.

6.º - Agora a ave deve ser colocada no viveiro e, dia sim dia ñão, aplico-lhe betadine até à completa cicatrização do ferimento. Regra geral entre os 10 e os 15 dias a aves está praticamante a 100%.

NOTA IMPORTANTE - Quando se detecta o quisto numa zona de grande aglomeração de vasos sanguíneos há que ter o máximo cuidado para não os atingir pois pode ser fatal para a ave.

3 de junho de 2010

PROTUBERÂNCIA NA BASE DO BICO - JÁ ALGUÉM TEVE CANÁRIOS COM ISTO?!

Há sensivelmente uns dez dias, numa altura em que me encontrava a apreciar os filhotes que esvoaçavam na voadeira, chamou-me a atenção um canário que em qualquer posição parecia que estava a estudar o canto formando uma bolsa na base do bico, caracteristica de quando os filhotes começam a tentar cantar, só que deste canário não saía som nenhum.
Olhando mais atentamente verifiquei que o que pensava ser a tal bolsa, que eles fazem, não era mais do que uma protuberância anormal na base do bico, como se poderá verificar nas três fotos abaixo e pior havia mais dois assim embora com a tal protuberância não tão adiantada.Apanhei o canário em questão e verifiquei que a referida protuberância nascia na base do bico e tacteando-a senti que era dura e parecia ser constituida por grãos. Nos outros dois canários um estava nitidamente no inicio e o outro, digamos que se encontrava, num estado intermédio entre o primeiro, que mal se notava, e o das fotos.
Imediatamente isolei estas 3 aves e inspeccionei todas as outras uma a uma, não detectando mais nenhuma com o mesmo problema.
Como em 32 anos de criação nunca, mas nunca mesmo, me apareceu nada semelhante fiquei sem saber o que fazer; será que era contagioso? que "doença" seria?Para a primeira questão já tenho a resposta, felizmente não é nada de contagioso pois mais nenhuma ave apareceu com aquele problema. Relativamente à segunda questão já falei com diversos criadores e nenhum me soube dizer o que seria, pois também era a primeira vez que tal viam.
Um deles aconselhou-me a ministrar o Spartrix (medicamento columbófilo contra as Tricomonas) se não curasse mal também não faria e o resultado ao fim do tempo recomendado (seis dias) a ministrar o Spartrix é o seguinte: o canário que estava com o papito no inicío já não tem nada, o do meio também, embora pouco, regrediu este da foto é que aparentemente não melhora mas também não piorou.

Devo esclarecer que os canários saltitam vivamente de um lado para o outro, dão trinados, alimentam-se bem, enfim não fosse o tal papo e não se passaria nada de anormal.

Se alguém já tiver passado por esta situação e tiver ou não conseguido resolver o problema, poderá, querendo, deixar o seu comentário nesta mensagem a fim de eu e todos os que leiam esta prosa ficarem esclarecidos.