1 de fevereiro de 2011

REGISTO DE CRIAÇÕES, PRÁTICO E EFICAZ

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Aquilo que para os criadores que se dedicam à canaricultura há muitos anos é banal, poderá não o ser para alguns companheiros novos nestas andanças e às vezes até para alguns com mais experiência.
Há dias ocorreu-me que neste espaço tenho, por vezes, falado de coisas que para mim são banalíssimas e com surpresa verifico que muitos companheiros as desconhecem pelos comentários e mails que depois recebo.
Hoje "divulgo" uma parte do meu método de registo dos acasalamentos e nascimentos que ocorrem no meu canaril. Geralmente as pessoas colocam um pos-it no viveiro respectivo e vão anotando os dias em que o ovo foi posto, data do choco, verificação de ovos, etc., etc., outros optam por um caderno onde anotam tudo, pois o meu método é o seguinte:
1 - Em cada viveiro de criação coloco uma placa como a que mostro abaixo que encaixa, através de dois arames, no viveiro.

2 - No computador tenho gravada uma "ficha" na medida da placa com os elementos que considero necessários para o registo da informação sobre a postura do viveiro onde for colocada.

3 - A ficha é colocada na placa e esta por sua vez é encaixada no viveiro e é removida em qualquer momento para anotar, os dias em que os ovos são postos, os ovos partidos, os ovos brancos, verificação dos ovos, data de nascimento dos filhotes e número de filhotes nascidos, etc., etc.

4 - O aspecto das gaiolas com as placas que portam as fichas fica conforme se vê na foto abaixo.
5 - Sempre que as aves nascidas são separadas, transcrevo as informações das fichas para um programa de registos informático e, claro, coloco nova ficha na placa para a postura seguinte. Como precaução tenho um registo em papel onde arquivo estas fichas.

6 de janeiro de 2011

ANTIBIÓTICOS COMO PREVENTIVOS! SIM OU NÃO!?

Este ano tinha decidido aplicar a auto-vacina aos meus canários mas depois de conversar com vários criadores e sem chegar a nenhuma conclusão sobre se devia ou não dar a auto-vacina acabei por desistir pois uns eram favoráveis e outros desfavoráveis. Acontece exactamente a mesma discordância quando se fala que na preparação das aves se usam antibióticos como preventivos, uns defendem-nos acaloradamente outros estão liminarmente contra. Pessoalmente acho que não se devem dar antibióticos quando as aves se encontram em perfeitas condições de saúde. Não faz sentido. É quase como nós ser humanos tomarmos um antibiótico, por exemplo; para as dores de dentes sem que tenhamos algum problema dentário.

Como em equipa vencedora não se mexe vou utilizar, este ano, o mesmo método do ano anterior.

Um dos princípios que tento sempre manter é utilizar, sempre que possível, os produtos da mesma marca e/ou laboratório pois diz-me a experiência que um determinado produto pode não funcionar eficazmente sem outro da mesma marca e/ou laboratório. Procuro também fornecer aos meus canários produtos o mais naturais possíveis.

Ultimamente, e passe a publicidade, como estou utilizando os produtos da Zoopan, lembrei-me de lhes escrever no sentido de me esclarecerem sobre esta questão dos antibióticos, com que todos os anos os criadores se debatem remetendo-lhes no passado dia 11 de Dezembro o e-mail que de seguida transcrevo:

Exm.ºs Senhores;


Pelo presente e como utilizador dos produtos Zoopan nos meus canários venho solicitar-vos o favor de me indicarem concretamente quais os produtos Zoopan utilizados na canaricultura que não são antibióticos, este pedido tem a ver com o facto de não fazer sentido a administração de um antibiótico numa ave sem sintomas de doença apenas como preventivo. Passe o exagero da comparação é como um humano tomar um remédio para uma dor de dentes sem a ter.


Pretendo proceder à desparatização interna dos meus canários e o produto da Zoopan que me parece ser o mais eficaz é o Vermizoo no entanto e como não tenho qualquer formação na área da medicina e/ou veterinária não faço a menor ideia se o produto que refiro é ou não um antibiótico.


No ano transacto já utilizei a gama de produtos da Zoopan pelo que agradeço se me indicarem então quais os, vossos produtos, que não são antibióticos para o fim em vista; desparatização interna.


No meu blogue referi o ano passado o esquema que utilizei para a preparação e criação que podem ver na secção Etiquetas, no ítem Alimentação e Afins, localizado no lado direito do blogue


Desde já grato, sou,


Armindo Tavares.



Em resposta ao meu e-mail chegada em 5 de Janeiro de 2011, e que devidamente autorizado transcrevo, diz o Exmo. Snr. Mário Miraldo, do Zoopan, o seguinte:

"… Por motivos de força maior não me foi possível responder às suas questões em tempo útil oportuno.

Não é para nós normal dar uma resposta tão tardia a este tipo de questões e, por isso apresento as minhas desculpas.


Espero que a dedicação que tem dado aos nossos produtos não seja afectada por esta demora, o que seria pena pois deixaria de utilizar produtos com garantia máxima de qualidade.


Indo ás suas perguntas:


Quanto aos nossos produtos que são à base de antibióticos, poderá encontrá-los no ficheiro anexado (Ornitofilia Brochura técnica + Produtos) na pagina 6ª ou antepenúltima em PRODUTOS DE USO VETERINÁRIOS-ZOOPAN. Dos produtos aí encontrados todos são à base de antibióticos (curativos de doenças infecciosas provocadas por bactérias) e anti-protozoários (e curativos à infestações/infecções provocadas por coccidias, tricomonas, histomonas, balantídios, etc.). De todos os produtos da referida página apenas dois não contém antibióticos e estes são o VERMIZOO que é um desparasitante interno (parasitas do intestino, estômago e pulmões) e o BRONCÓLIS que actua como broncodilatador, fluidificante da expectoração e anticéptico das vias respiratórias. Portanto, como poderá verificar, os produtos que contêm antibióticos são os seguintes anti-infecciosos e anti- protozoários: MICORESP, COCCIMIR, ENROXINA, SALMOCÓLI, SULFAPRIME, TYLFUR e TRICOBACTER.


"… este pedido tem a ver com o facto de não fazer sentido a administração de um antibiótico numa ave sem sintomas de doença apenas como preventivo. Passe o exagero da comparação é como um humano tomar um remédio para uma dor de dentes sem a ter…". Esta é uma frase sua absolutamente correcta. A utilização de produtos preventivos de enfermidades só poderão ter algum sentido nos seguintes casos:


A) - Quando não se tem a possibilidade de fazer uma quarentena completa, isto é, manter isoladas todas as novas aves que se adquiriram no exterior e se pretende introduzir no aviário. Numa quarentena, o tempo de isolamento mais adequado é, como o nome subentende, de cerca de quarenta dias pois há doenças que se podem rebelar até esse período. Só quando o tempo de isolamento (quarentena), não é utilizado correctamente pelos ornitófilos (raramente usam o tempo recomendado) é que será necessário fazer um "varrimento" ou limpeza preventiva, prática seguida por vários ornitófilos, que consiste , básicamente , na administração (com doses terapêuticas) de um produto de largo espectro de acção para as infecções respiratórias (Micorresp ou Enroxina), um produtos de largo espectro de acção contra os protozoários (Coccimir ou Sulfaprime e ou Tricobacter ) e um produto de largo expectro de acção contra os vermes intestinais, estômago, traqueia e pulmões (Vérmizoo).


B) - Quando o ornitófilo leva as aves para exposições, uma vez que a exposição é sempre uma situação de forte stress para as aves (manipulação, transporte, barulhos, agitação ambiental e alta concentração bacteriana) que, se não estiverem com as defesas orgânicas devidamente habilitadas ficam afectadas por bactérias que provocam doênças que se vão revelar dias após regressarem ao aviário e contaminar todo o bando residente. Nenhum ornitófilo gosta de ser surpreendido com todo o aviário afectado com uma doênça infecciosa quando sabe que pode fazer a prevenção tratando as aves que estiveram na exposição antes de as juntar ao aviário.


Esquema de tratamento utilizado e indicado no seu blogue (dou-lhe os parabéns e desejo-lhe sucesso cada vez maior). Está dentro do que nós recomendamos. Terá melhores resultados se utilizar muito mais vezes o BIO-SAC (na papa) ou BIO-SAC WS (na água) pois, além de reforçar as defesas do organismo contra as infecções bacterianas, vão manter sempre em estado óptimo o eco-sistema digestivo que é muito importante para uma correcta absorção de todos os nutrientes vitais. Há ornitófilos que dão o Bio-sac práticamente todos os dias, com óptimos resultados…"


E pronto, amigos, através desta resposta fica um pouco desmistificada a questão de se dar ou não dar antibióticos às nossas aves na altura em que as começamos a preparar para a época reprodutiva. Como digo no inicio do texto em equipa ganhadora não se mexe pelo que cada criador deverá tirar as ilações que quiser desta prosa que publico a titulo meramente informativo.



28 de dezembro de 2010

TÉCNICAS OU MÉTODOS DE ACASALAMENTOS UTILIZADOS COM OS CANÁRIOS

Há amigos e seguidores deste blogue atentos ao que escrevo e o amigo Carlos Ramos, Juiz de Canários de Cor, é disso exemplo pois quando fiz referência ao facto de os canários do meu Pai passarem o inverno juntos quando noticiei que, também, ele ia criar arlequins, logo me "desafiou" a desenvolver o tema dos canários passarem o inverno juntos, o que, com muito gosto faço agora.
Quando em 1978 comecei a dedicar-me à criação de canários, gastei mais dinheiro na aquisição de literatura sobre a criação de canários do que propriamente na compra dos meus primeiros casais de canários.
Desde o livro "A Moderna Criação de Canários" da autoria, do saudoso Juiz de Canários de Cor, Snr. Manuel Gonçalves (que tive o prazer de conhecer) e que foi o primeiro que comprei, seguido dos títulos: "ABC da Criação de Canários" e "Raças de Canários" o que na altura me pareceu mais completo foi um livro com 285 páginas, ilustrado com fotos de canários de cor e porte (curiosamente as fotos dos canários de porte, na sua grande maioria, já nada têm a ver com os actuais standards), da autoria de Vittorio Menassé, autor de vários livros sobre ornitologia,cujo título em português é "O Livro dos Canários" e dado è estampa pela Editorial de Vecchi.

O teor do livro é de fácil compreensão e tem ensinamentos de métodos que, de um modo geral, não saiem muito do padrão que todos os criadores com mais ou menos experiência conhecem, mas tem uma referência que me chamou particular atenção, foi a afirmação de que os casais que iriam ser utilizados para reprodutores deviam passar o inverno juntos, apesar de não se alongar sobre o que fazer para se evitar uma entrada precoce na criação.
Utilizei o método durante dois ou três anos mas acabaria por desistir por, em primeiro lugar todos os criadores conhecidos não utilizarem o método e me dizerem ser errado e, em segundo lugar, porque talvez devido à minha inexperiência quando juntava os casais, geralmente no inicio de Dezembro, passadas duas ou três semanas tinha fêmeas a pôr ovos, a maior parte das vezes sem estarem galados e mesmo quanto estavam galados os filhotes não se vingavam por às vezes as temperaturas, demasiado baixas, fazerem as fêmeas abandonarem o ninho e consequentemente a alimentação dos filhotes.
Este método de os reprodutores passarem o inverno juntos, viria a ser adoptado bastantes anos depois pelo meu Pai (a quem emprestei o livro) que desde sempre e apesar dos meus "doutos conselhos" sempre seguiu o que pensava ser melhor e, a verdade, é que tem tido êxito.

A técnica consiste no seguinte:

  1. Até ao fim da muda as aves são tratadas normalmente com administração semanal ou bi-semanal de papa. Em inicio ou meados de Setembro deixa de fornecer papa aos canários
  2. Na última semana de Novembro e uma vez que os machos logo no fim da muda são isolados nas jaulas de criação, procede à selecção das fêmeas que pretende acasalar colocando-as nas jaulas com os respectivos machos, sem qualquer material de criação, logo na primeira semana de Dezembro. Entretanto foi feita a desparatização interna das aves.
  3. Aproximadamente em meados de Fevereiro, coloca as fêmeas de novo na voadora e começa então a prepará-las colocando-lhes papa à descrição e fornecendo-lhes suplementos vitamínicos. A preparação dos canários começa cerca de uma semana depois.
  4. No fim da primeira semana de Março e conforme vai verificando se as fêmeas estão ou não com cio coloca-as na jaula dos respectivos parceiros com quem estiveram cerca de dois meses e meio.
  5. O êxito deste método manifesta-se na altura das posturas em que é raríssimo ter ovos goros.

O método que utilizo é bastante diferente porquanto forneço papa todo o ano aos canários, obviamente que na época de acasalamento e reprodução as doses são substancialmente aumentadas, os machos para reprodução são isolados mal terminam a muda e em Dezembro "mostro-lhes" as fêmeas colocando-as numa voadora em frente a eles, (nesta altura os chilreios e gorjeios dos machos torna-se quase ensurdecedor) e junto-as quando acho que se encontram prontas para a reprodução o que acontece a partir de meados de Janeiro ou inicio de Fevereiro, se as temperaturas não forem muito baixas, com tudo o que é necessário para fazerem o ninho.
Sei, de casos raros, em que as fêmeas são colocadas na jaula de criação em primeiro lugar com tudo o que for necessário para fazerem o ninho e só quando o ninho se encontra meio feito juntam-lhe o macho.
Vantagens destes métodos, no primeiro caso em que passam o inverno juntos os "calores" dos machos são mais reservados pois estiveram o tempo todo com as fêmeas e apesar de ser estimulado naturalmente ao ficarem sem elas, quando as fêmeas lhes são de novo chegadas galam-nas pura e simplesmente sem qualquer tipo de "guerra" mantendo-se durante a época de reprodução o cio de uma forma constante e não agressiva o que motiva posturas mais fecundas.

O sistema. por mim utilizado, em que "mostro" as fêmeas aos machos funciona na medida em que estando a fêmea pronta mal a meto ao macho este gala-a de imediato, mas não impede às vezes alguma agressividade do macho com o cio demasiado elevado.
O sistema em que se chega a o macho à fêmea tem a desvantagem de se a fêmea for dominante, e não estiver convenientemente receptiva ao macho, ser agressiva com ele e gora-se o acasalamento pretendido pois o macho com medo deixa de se fazer à fêmea.

Haverá ainda quem apenas pegue na fêmea e a chegue ao macho na altura da criação, mas esse é um método que, francamente, desaconselho pois em muitos casos por incompatibilidade e inclusive por uma questão territorial, há aves que se matam uma à outra
Existirá, possivelmente, outra metodologia de acasalamentos de canários mas creio que os métodos referidos são os mais conhecido e utilizados.