24 de setembro de 2011

REPRODUTORES 2012

Apesar de haver ainda um ou outro canário a largar uma ou outra pena a muda decorreu sem problemas de maior, sendo chegada a altura de começar a pensar nas poucas exposições em que tenciono participar com a meia dúzia de passarinhos que selecionei e, penso, terão alguma qualidade para esse fim.

Os canários arlequim português que tinha para dispensar e que no início deste mês comecei a entregar esgotaram, felizmente, rapidamente. Com a mesma rapidez precavi-me, atempadamente, com a aquisição de quatro novos exemplares, dois dos quais já em meu poder e os outros dois, embora já minha propriedade, virão depois de participarem em algumas exposições. Estes novos exemplares serão para para utilizar como reprodutores cruzando-os com meus canários que selecionei para reprodução em 2012. 

Todos nós criadores lutamos com a dificuldade de escoar passarinhos com mais de dois anos eu, francamente, ainda não entendi bem o porquê de as pessoas terem alguma relutância em adquirir esses exemplares, porque um canário do ano não é garante de bom reprodutor e se for um canário das últimas posturas pode nem estar apto a criar no ano seguinte. Vem isto a propósito das duas primeiras fotos de reprodutores que publico, reprodutores estes (ambos de 2008) que cheguei a colocar à venda mas desisti dessa decisão em virtude da qualidade dos mesmos decidindo criar mais um ano com eles.

Como crio sempre só com doze casais irei publicar cerca de trinta fotos isto é: vinte e quatro dos reprodutores e as restantes dos suplentes. As fotos serão publicadas de forma aleatória não correspondendo necessariamente, como no caso presente, ao casal que vai ser utilizado para procriar.




17 de setembro de 2011

CANÁRIOS DE PORTE DE "A a Z" ARLEQUIM PORTUGUÊS

País de origem: Portugal

O canário Arlequim Português passou ser, a nível internacional, considerado como raça em 18 de Janeiro de 2010 neste dia, em Matosinhos/Portugal, obteve o seu terceiro reconhecimento internacional.

O seu nascimento remonta aos anos 70/80 devido ao empenho e visão de um criador, Armando Moreno, que junto com um grupo de outros criadores começaram, ano após anos, a selecionar os exemplares que levariam à existência do atual canário Arlequim Português.

Pelo meio ficaram sucessivas alterações ao projeto da novel raça que originariamente tinha a obrigatoriedade do fator vermelho, coloração artificial obrigatória, presença simultânea de seis cores e do mosaico, passando, na atualidade, a ser multicolorida, equilibradamente variegada com fator vermelho e coloração artificial obrigatória, aumentou o tamanho, melhorou a posição e o corpo (item mais importante e por isso com a maior pontuação, 20 pontos) que deixou de ter a robustez típica e acentuadamente arredondada dos canários de cor, evoluindo para um canário elegante e altivo. 


O Standard atual do Canário Arlequim Português, aprovado pela C.O.M. é o seguinte:

CORPO (forma), PEITO ASAS
Corpo - Alongado, esguio e harmonioso.
Peito - Ligeira e uniformemente arredondado.
Dorso - Reto, na mesma linha da cauda.
Asas - Longas, bem aderentes ao corpo e sem se cruzarem, nem descaírem, terminando unidas sobre a raiz da cauda.
Pontuação: 20.

POUPA, CABEÇA, PESCOÇO
Poupa (no Arlequim Poupa) – Em forma de tricórnio (2 ângulos atrás e 1 virtual à frente) irradiando de um ponto central no cimo da calota, e descaindo aderente e simetricamente, sem cobrir olhos e bico.
Cabeça (no Arlequim Par) – Cabeça estreita e alongada mais larga atrás do que à frente.
Bico – Forte e proporcionado.
Olhos – Vivos e bem visíveis.
Pescoço – Bem delineado e harmonioso, destacando claramente a cabeça do corpo.
Pontuação: 15.

TAMANHO
16 cm.
Pontuação: 15.

COR
Multicolor e equilibradamente variegada com factor vermelho.
Coloração artificial obrigatória.
Pontuação: 10.

PLUMAGEM
Lisa, compacta, sedosa, brilhante e bem aderente ao corpo.
Pontuação: 10.

POSIÇÃO MOVIMENTO
Posição erguida (55º) e altiva.
Corpo bem elevado e cabeça levantada.
Pontuação: 10.

PATAS
Fortes, longas e ligeiramente fletidas, preferencialmente variegadas.
Coxas bem visíveis.
Pontuação: 10.

CAUDA
Longa, estreita e ligeiramente bifurcada na extremidade, preferencialmente variegada.
Pontuação: 5.

CONDIÇÃO GERAL
Saúde e higiene perfeitas.
Vivacidade e boa adaptação à gaiola de exposição.
Pontuação: 5.

Gaiola de exposição: Tipo Canário de Cor.

29 de agosto de 2011

CONSANGUINIDADE - O MELHORAMENTO GENÉTICO DO PLANTEL


Há coisas que todos nós que andamos no no mundo dos passarinhos sabemos ou, mesmo não sabendo, utilizamos sem dar o devido valor. Todos, de uma maneira ou de outra trabalhamos com a consanguinidade nos nossos planteis; todos sabemos, mais ou menos, como proceder mas na prática poucos sabem trabalhar em condições com a consanguinidade no sentido de obter melhores exemplares fixando determinadas características.
No blogue do meu amigo Bento Formigari Canaril Formosura encontrei o texto que abaixo transcrevo e que dada a simplicidade e objetividade da explicação dada baseada na, para alguns, conhecida Tabela de Felch vale a pena guardar para se consultar sempre que necessário. 

"...A consanguinidade.
A consanguinidade permite fixar os caracteres e assim criar uma linha estável a partir de dois indivíduos aparentados “in-reeding”. Contudo, esta técnica tanto fixa qualidades como defeitos, por isso é importante começar o processo a partir de um casal o mais perfeito ou de boa qualidade.
Em resumo a consanguinidade permite:
-revelar e eliminar os defeitos genéticos,
-fixar uma série de qualidades pretendidas pelo criador.
O princípio da consanguinidade é simples: consiste no acasalamento de indivíduos aparentados com o objetivo de fixar as suas qualidades no estado homozigótico.
- homozigótico - quando os dois alelos contêm a mesma informação para essa mesma característica;
- heterozigótico - quando os dois alelos contêm informação diferente para essa mesma característica.
Sendo um indivíduo homozigótico, este pode ser dominante, quando os dois alelos informam para a característica que domina; ou recessivo, quando os dois alelos informam para a característica que não domina.
Como saber se tem um passaro homo ou heterozigótico?
É simples.
1- Se o Fenótipo corresponder a um gene recessivo então o pássaro é homozigótico.
2- Se o Fenótipo corresponde a um gene dominante faz se um teste de cruzamento.
O teste do cruzamento realiza-se entre o indivíduo dominante onde se tem a duvida e um indivíduo com o gene recessivo correspondente (pois este é obrigatoriamente homozigótico).
Assim  se nascerem apenas fenótipos dominantes o indivíduo em questão é homozigótico, se nascer uma metade dominante e outra recessiva quer dizer que o indivíduo é heterozigótico.

INTRODUÇÃO

Os cruzamentos consanguíneos ajudam a melhorar a qualidade de suas aves, mas devem ser usadas com critério e por criadores com um pouco mais de experiência para que os resultados obtidos sejam satisfatórios. Não digo com isso que a técnica não possa ser usada por criadores iniciantes, alias deve, mas lembrando a esses criadores que devem estudar ao máximo antes de usar a mesma. Também lembro que os resultados não são imediatos e levarão no mínimo três gerações.

Quando compramos um casal que achamos excelente e vamos fazer o acasalamento e as crias deste casal nos dececionam, isso ocorre com qualquer espécie de ave;
Então o que fazer?
Quais medidas devemos adotar?
Vamos descartar essas crias?
Haverá uma forma de melhorar?
Muitas vezes ouvimos falar em melhoramento genético.
Eu poderia usar essa técnica para melhorar minhas aves?
Será que eu preciso ser profundo conhecedor de genética para usá-la?
Diante destas constatações, quais medidas devem tomar?
Desistir?
Não se estamos determinados a melhorar a qualidade do nosso plantel.
Pensando nisso gostaria de apresentar uma alternativa para aqueles que se preocupam com a qualidade e melhoramento do seu plantel.
Trata-se da tabela de Felch.
Já ouviu falar? Não? Sim? Achou complicado de entender?
Então vou descrever abaixo o passo a passo para você ficar inteiramente esclarecido sobre o assunto e como usá-la de maneira correta para obter os melhores resultados possíveis.

Veja a tabela:



Se você entendeu todo o funcionamento parabéns, se não passarei a descrevê-lo.
Para seguir todos os acasalamentos que pede na tabela você vai precisar de cinco anos para que se conclua o ciclo total.
Achou muito tempo?
Lembre-se você esta fazendo um melhoramento genético e tornando o seu plantel mais consistente, mas tudo isso leva tempo e perseverança.
Abaixo irei descrever com imagens que ficara mais fácil de entender.



Você ira iniciar a tabela com a fêmea 1 e macho 2 , que Dara origem ao grupo 3.
Escolha um casal de boa genética para iniciar seu trabalho usando a tabela.
Primeiro ano:
Segundo ano: 
Cruze a fêmea original 1 com o melhor macho do grupo 3.
Este cruzamento resultará no grupo 4.
Cruze o macho original 2 com a melhor fêmea do grupo 3.
Este cruzamento resultará no grupo 5


Terceiro ano:
Neste ano você já vai ver bons resultados em relação ao casal original e se quiser poderá parar aqui e começar uma nova linhagem.
Cruze a fêmea original 1 com o melhor macho do grupo 4.
Este cruzamento resultará no grupo 6.
Cruze os machos do grupo 4 com as fêmeas do 5 e vice-versa.
Este cruzamento resultará no grupo 7
Cruze o macho original 2 com a melhor fêmea do grupo 5.
Este cruzamento resultará no grupo 8.


Quarto ano:

A partir deste ano não serão mais usados o casal original macho 2 e fêmea 1, podendo assim começar uma nova linhagem com eles.
Seguindo em frente cruze sempre os melhores exemplares.
Cruze o melhor macho grupo 6 com a melhor fêmea do grupo 4.
Este cruzamento resultará no grupo 9.
Cruze a melhor fêmea grupo 6 com o melhor macho do grupo 7.
Este acasalamento resultará no grupo 10.
Cruze os melhores machos do grupo 8 com as melhores fêmeas do grupo 6.
Este acasalamento resultará no grupo 11.
Cruze o melhor macho grupo 8 com a melhor fêmea do grupo7.
Este acasalamento resultará no grupo12.
Cruze o melhor macho grupo 8 com a melhor fêmea do grupo 5.
Este acasalamento resultará no grupo 13.


   
Quinto ano:

Indo até o fim da tabela.
Cruze o melhor macho do grupo 9 com a melhor fêmea do grupo 11.
Este acasalamento resultará no grupo 14. Neste grupo teremos já um novo “strain” ou linha de sangue completamente pura da fêmea 1 original.
Cruze a melhor fêmea do grupo 9 com o melhor macho do grupo 12.
Este acasalamento resultará no grupo 15.
Cruze a melhor fêmea do grupo 10 com o melhor macho do grupo 12.
Este acasalamento resultará no grupo 16. Neste grupo teremos já um novo “strain” ou linha de sangue completamente pura.
Cruze a melhor fêmea do grupo 10 com o melhor macho do grupo 13.
Este acasalamento resultará no grupo 17.
Cruze a melhor fêmea do grupo 11 com o melhor macho do grupo 13.
Este acasalamento resultará no grupo 18. Neste grupo teremos já um novo “strain” ou linha de sangue completamente pura do macho 2 original.

 

Pronto você concluiu a tabela e a partir de agora é só colocar sangue novo e iniciar um novo ciclo.
Esta é só uma possibilidade usando um casal, mas você poderá fazê-lo e iniciar com mais casais, enfim as possibilidades são diversas e cito um exemplo: no segundo ano quando se forem formar os grupos 4 e 5 você poderá fazer bigamia entre o macho 2 original e duas fêmeas do grupo 3 aumentando assim as possibilidade do grupo 5.
Mais uma coisa a titulo de curiosidade; ao final do ciclo você terá criado uma média de 136 aves, já levando em consideração que a consanguinidade baixa um pouco a fertilidade das aves.
Espero que tenham gostado do artigo.