3 de outubro de 2010

* REMOÇÃO DE QUISTOS *

Verifico, regularmente, haver criadores que nunca se depararam com canários com quistos e quando isso acontece temem logo o pior para a suas aves. Isso sucedeu comigo quando aconteceu pela primeira vez. Segundo o que tenho lido e, ainda, com a troca de informação com outros colegas criadores a origem dos quistos, de um modo geral, têm três situações, a saber:

1.º - Acasalamento entre aves com uma consaguinidade muito próxima.

2.º - Aves com uma plumagem excessiva (por exemplo os Norwichs).

3.º - A mais comum, penas encravadas, muitas das vezes originadas por as aves se bicarem, principalmente na altura da muda.

A remoção de quistos que pretendo abordar é exactamente aquela que, mais tarde ou mais cedo acontecerá a quem se dispuser a criar canários, tem origem em pena ou penas encravadas. Estas penas encravadas, desenvolvem-se no interior da epiderme e à medida que crescem enrolam-se sobre si mesmas em forma de novelo dando, com o continuo crescimento, aparecimento a uma forma de pequeno grão de milho que é o chamado quisto.

No caso das aves com quistos ocasionados pela consanguinidade será mais constante o aparecimento, não só destes mas de outros tipos de quistos, pelo que obviamente, não é aconselhável a sua utilização como ave reprodutora.

Na impossibilidade de publicar fotos minhas sobre esta matéria utilizo, com a devida vénia, três fotos de colegas criadores o Nuno Carvalho (http://www.canariculturanunocarvalho.blogspot.com/) e o António Ganchinh0 (http://www.aganchinho.blogspot.com/)

Nesta a primeira foto vê-se o quisto já desenvolvido. É perfeitamente visível no centro da "bola" que se trata de um quisto provocado por uma pena encravada.

Nesta segunda foto vemos o quisto já "aberto" notando-se a pena putrefacta no seu interior.

Por fim nesta terceira foto vê-se perfeitamente o buraco deixado na ave pela extracção do quisto, que aparece no canto inferior direito da foto.

O sistema que utilizo para extrair os quistos é muito simples e, até à presente data, nunca me morreu nenhuma ave pela extração do quisto. Custa-nos um bocado porque a extração é feita a sangue frio e a ave tem dores mas quando a colocamos no viveiro, passadas umas horas, já parece outra pois encontra-se livre do apêndice que a incomodava.

O que utilizo para a extracção é, cuidadosamente, preparado antes de agarrar a ave e consiste no seguinte:

Alcool etílico para desinfectar o material a utilizar; gase para limpar a ferida (nunca algodão, o único que utilizo é o do cotonete que não se solta) água oxigenada para ajudar a limpar e estancar algum sangue; betadine para colocar na ferida; 1 cotonete para limpar o interior da ferida com betadine, 1 x-acto ou bisturi para fazer a incisão no quisto, uma pinça pequena para remover a pouco e pouco o novelo formado pela pena, uma tesoura e um pano limpo onde disponho tudo o que vou precisar.

1.º - Depois de desinfectar, bem, com alcool o instrumento cortante, a tesoura e a pinça, agarro a ave e dou inicio à extracção do quisto.

2.º - Se necessário aparo, com a tesoura, as penas à volta do quisto para que não entrem posteriormente para dentro da ferida que vai ficar.

3.º - Com o x-acto ou bisturi, faço uma incisão no quisto, no sítio onde melhor de nota o novelo formado pela pena. Se o corte for bem feito é raro aparecer sangue.

4.º - Após o corte, com ajuda da pinça vou retirando do interior a pena (que faz lembrar uma pipoca a esfarelar) até chegar a uma altura em que o "grosso" do quisto sai totalmente. Aqui há quase sempre o aparecimento de algum sangue é então utilizada a gase embebida em água oxigenada que com a ajuda da pinça introduzimos na ferida, para a lavar e estancar o sangue.

5.º - Ultrapassada a fase referida em 4.º embebo o cotonete em betadine e limpo cuidadosamente o buraco, causado pela extracção do quisto, bem como o bordo e se houver pele solta, pressiono-a levemente com o cotonete de forma a quase tamponar o ferimento.

6.º - Agora a ave deve ser colocada no viveiro e, dia sim dia ñão, aplico-lhe betadine até à completa cicatrização do ferimento. Regra geral entre os 10 e os 15 dias a aves está praticamante a 100%.

NOTA IMPORTANTE - Quando se detecta o quisto numa zona de grande aglomeração de vasos sanguíneos há que ter o máximo cuidado para não os atingir pois pode ser fatal para a ave.

16 comentários:

  1. Belíssimo post amigo Armindo..

    Assim vale a pena perder tempo a escrever e a ler..

    Grande abraço,
    Nuno Carvalho

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  2. Obrigado Nuno Carvalho. O que é curioso é que nunca pensei que uma coisa tão simples fosse, digamos, tão pouco divulgada.
    Não faço mais do que transmitir o que outros, também, me ensinaram.
    Saudações ornitófilas.

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  3. Olá amigos. É curioso que ainda hoje retirei um quisto de uma ave, nem de proposito Armindo. Nunca é demais falar neste tema que tantos criadores preocupa.

    Abraço

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  4. Olá, Sá. É verdade, só que às vezes como as situações são vulgares nem nos lembramos de as descrever. Já vi que este ano nem foi mau nos seus passarinhos. Vamos lá ver se sai prémio. boa sorte.
    Saudações ornitófilas.

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  5. Excelente su explicación...
    Algunos criadores desconocen este procedimiento sencillo, y dejan morir a las aves, y segun usted comenta no ha perdido ninguno de sus ejemplares...

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  6. Rokoman, gracias por su comentário. Provavelmente nunca me morreu nenhum canário porque os quistos que tratei foram sempre originados por penas encravadas.
    Saudações ornitófilas.

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  7. Olá, finalmente, a semana passada arranjei coragem para proceder à remoção do quisto do meu pinguinhas... no dia seguinte verifiquei que tinha outro novelo na outra asa, extraí os dois quistos (a segunda vez correu melhor do que a primeira) mas o canário acabou por perder muito sangue. Agora tem estado chocho: perdeu peso, não tem força, não pia, mostra-se prosttrado... será que vou ficar sem ele?

    Obrigada, gostava de resposta porque estou muito preocupada

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  8. Olá, miminhos cruzados, é perfeitamente natural que o canário se vá abaixo se, como diz, perdeu muito sangue. Há que se ter algum cuidado na extração dos quistos precisamente por causa desse problema. Deveria ter deixado passar algum tempo até extrair o segundo quisto. Depois tem de ter muita atenção onde o quisto se encontra situado pois pode ficar próximo de uma zona com grande irrigação sanguínea e nesse caso é conveniente ter-se alguma experiência para se "ajudar" a ave.
    As melhoras para o seu passarinho.
    Saudações ornitófilas.

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  9. Obrigada, pela atenção e desculpe ter-me esquecido de assinar o post.


    Vânia Batista

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  10. Muito boa explicação! Se puder, me tire uma dúvida.
    O que faço se o quisto já estiver aberto? Como na segunda foto?

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  11. Olá, Karina!
    Se o quisto estiver já aberto deve proceder na mesma como se ele estivesse fechado seguindo os passos que descrevo para proceder à sua total extração.
    Saudações ornitófilas.

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  12. Boa noite,
    Acabei de ler a publicação, e é exatamente o que o meu canário tem, esta nas costas entre as asas. Será uma zona sensível?
    Obrigada,
    teresa

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  13. Boa noite, Valdemar Simões;
    Obviamente que qualquer zona de um canário será sensível quando estamos a falar da extração de um quisto que é feito, geralmente, a sangue frio. Se o quisto se localiza nas costas e próximo das asas será, eventualmente, dos mais fáceis de erradicar bas que verifique atentamente se próximo não há nenhuma artéria que possa ser lesionada com o ato da extração, a zona com mais terminais situa~se logo a segui ao pescoço da ave.

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  14. Morro de medo de ferir o meu menino e ele vir a morrer eu não suportaria perder-lo

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  15. Prezado Armindo,

    Obrigado por divulgar a solução de um problema que afligia meu canário a 2 meses. Como bem expressado, anteriormente, encontrei dificuldade em achar uma solução para um problema tão "simples".
    Engrandeço sua iniciativa por compartilhar seu conhecimento, pois aliviou a dor de sua ave e multiplicou a solução para outras tantas que sofrem do mesmo problema. Isso expressa bem o amor de um verdadeiro ornitólogo.

    Parabéns, Márcio Tavares (Belo Horizonte-MG, Brasil)

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  16. Muito boa explicação e muito útil. Obrigado

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